Como te procurei…
Como te desejei…
Como precisei de você…
Procurei por alguém que não me rejeitasse,
Procurei por alguém que olhasse em meus olhos e me aceitasse exatamente assim como sou,
Alguém que se orgulhasse do meu esforço, que percebesse o brilho que trago comigo.
Alguém que estivesse sempre disponível pra me aconchegar, e que neste
aconchego me fizesse ver meus valores soterrados pela rejeição que
encontrei ao longo do caminho.
E nesta busca me perdi…
Num determinado ponto do caminho te deixei.
Tive vergonha porque me diziam que você não fazia nada direito.
Tive vergonha porque me diziam que você era desengonçada.
Tive vergonha porque você não era tão esperta quanto os outros.
E te abandonei…
Hoje eu percebo que te deixei num lugar escuro, úmido e áspero.
Aprendi a maltratar você por não te achar boa o bastante, acreditei que assim você seria forte e cresceria.
Como me enganei…
Busquei tanto por você…
Busquei por alguém que me salvasse dos momentos de dor.
Busquei por alguém que me iluminasse e me apontasse o caminho a seguir.
Busquei por alguém que me completasse, alguém que aceitasse meu amor,
amor que muitas vezes coloquei numa bandeja e saí oferecendo como se ele
pertencesse a outro.
Eu te busquei para que pudesse me sentir amada sem ter que mendigar por um pouco de atenção.
Eu sabia que se te encontrasse estaria completa.
Olhei fundo nos olhos de cada um que passou pelo meu caminho, na ânsia de ver o brilho dos teus…
Pensei que te encontraria nos bons momentos da vida.
Pensei que te encontraria nos amantes que passaram pelos bastidores da minha história.
Pensei que encontraria entre os melhores amigos que eu tive…
Mas você não estava lá.
Me irritei, destruí, maltratei as pessoas que amava.
Senti que eu nasci para destruir tudo que estava ao meu redor. Morri de pena de mim e culpei.
Culpei meus pais, meus irmãos, meus professores, meus amigos. Culpei a mim…
Julguei, odiei, amei, perdoei e desejei do fundo da minha alma te encontrar.
Não importa onde estivesse, eu te encontraria.
De repente me dei conta de que você sempre esteve lá.
Lá, onde um dia te deixei. Estava lá esperando por alguém que te salvasse.
Estava lá, esperando por mim.
Eu te buscava e você me esperava.
E sem saber exatamente como. Talvez mais por necessidade do que por querer, decidi voltar…
Decidi te resgatar naquele mesmo ponto em que um dia te deixei…
Decidi mergulhar neste lugar onde está tão escuro…
Tão escuro meu Deus!!! Tenho medo, não consigo ver nada.
Então, me dei conta de que no fundo nunca tinha visto nada de verdade,
que todas as coisas eram sempre encobertas pelas névoas da minha
incerteza e prossegui.
E quando decidi prosseguir, pela primeira vez pude ver um ponto de luz que brilhava…
Decidi enfrentar a umidade e o frio deste lugar…
Tão úmido meu Deus!!! Tenho medo, sinto frio.
Então, me dei conta de que no fundo nunca me senti aquecida de verdade, que o medo me afastava do calor e prossegui.
E quando decidi prosseguir, pela primeira vez senti um calor, um calor de colo, um calor de acolhimento…
Descobri que você era a única pessoa que eu precisava amar. Era a única
pessoa que iria me salvar, era a única fonte de amor verdadeiro capaz de
me completar.
E você estava lá…
Olhei nos teus olhos e me assustei. Os teus olhos eram os meus. Não é possível! É você?
Você sou eu?
Sim, você, eu, a única pessoa que preciso encontrar.
(Léia Carvalho)